Deslizando

Eu fiquei pasmo ao saber que Dante Alighieri foi, por assim dizer, o inventor do idioma italiano. Resultado de um grande amor, ainda por cima. Indague, colega, e verás. O brother Erich Fromm errou por 800 anos a chegada do amor neste planeta. Na concepção dele o amor surge graças ao cinema Hollywoodiano, bem, ops, e o que fazer com a extensa literatura romântica anterior, Jane Austen & Cia.? Sem mencionar que 500 anos antes William Shakespeare dedilhava essa harpa e Dante, ao vislumbrar Beatriz Portinari, lá pelos idos de 1232, fica literalmente mesmerizado por ela, no modo perene. Faz uns 3 anos que recebi em mãos (eu e mais 500.000 pessoas) a informação de que o amor foi descoberto neste planeta. E aquele que revelou, (O Regente da Presente Era) explanava que somente uma vez vivido e acontecido aqui, (o amor), ele poderia ser reconhecido pelos lá do alto. Daí, noutra ocasião, digamos 1 ano e meio atrás, Ele diz - lá longe, milênios atrás, sobre quem foram os primeiros seres a sentir o amor. Quem você acha? A mulher. E naquele tempo era uma novidade, e não se sabia direito o que fazer com esse sentimento. Ora, Dante foi envolvido pelo turbilhão e deu no que deu. Só um exemplo, né? Foi quando me ocorreu que isso deve ser passado adiante. Toda vez que interpelavam de forma positiva para o próprio Bill W. acerca de sua obra, ele, agradecido, dizia apenas: pass it on (passe adiante). Aliás, caso você não saiba, pela primeira vez na história da humanidade, o campo coletivo está se reorganizando em torno de uma frequência mais elevada — e não reagindo a uma mais baixa. Em 1880, calçar os dois pés de um membro da família custava mais do que a renda semanal desta. O xis da questão não estava no couro ou na eventual falta de escrúpulos dos sapateiros. O nome do jogo, neste caso, era o “Lasting”. Apesar desta palavra ter vários significados, aqui equivale a unir a parte superior do sapato à sola. Então, reúna e contemple toda a história da humanidade até então e pondere que foi preciso uma alma corajosa encarnar no Suriname em 1852 e daí começar toda uma trajetória, incluindo a chegada na América e o tempo de aprendizado múltiplo - 10 horas por dia numa fábrica de sapatos, e de noite, sozinho num cômodo, dando sequencia a estudos de inglês, desenho mecânico e engenharia, tudo à luz de velas, para que a raça humana pudesse ser devidamente calçada. No dia 20 de março de 1883, o Escritório de Patentes dos EUA concedeu a patente nº 274.207 a Jan Ernst Matzeliger. Sua máquina - então a única - habilitada a unir a parte superior do sapato à sola de modo ágil e cirúrgico - jogou pela janela o trabalho de um artesão que num bom dia fazia 50 pares - para 700 pares. Nem é necessário dizer o que aconteceu com os preços desse produto e que da noite para o dia famílias inteiras com minguada renda puderam ao menos proteger os pés.
Dá para imaginar o tamanho do amor para descer até aqui e realizar tal proeza? Matzeliger morreu na miséria com 37 anos, ao passo que os tubarões que perceberam a magnitude da invenção e por meio de estratégias baixas controlaram seu engenho, fizeram fortunas monumentais.
Passando adiante, gente séria atesta que daqui para frente, acabou a temporada em cima do muro, pois a inescapabilidade da Fonte será insuportável. Encerro com um Poeta de altíssimo calibre que, de modo brilhante e conciso, ilustra bem o tema: "No tempo fui passageiro, Que em seu domínio entrou e saiu. Mas vivi como um guerreiro, Que somente a Deus, serviu". (Jacó Filho)
(Imagem: 1959 Bowden SpaceLander Bike)




Comentários