top of page
  • Foto do escritorBernard Gontier

Na nuvem da Shirley

Atualizado: 25 de mar. de 2022






Uma alma iluminada, semanas atrás, me indicou o filme “Minhas Vidas”, baseado no livro homônimo e protagonizado pela própria autora Shirley MacLaine. A pegadinha está no título em português, pois o conteúdo pincela diáfano como aquarela as vidas da atriz, um detalhe que o espectador procura com certo apetite nas aproximadamente 3 horas de duração. Já o título original, Out on a Limb, este sim contém a essência da nuvem e “arrisque-se” seria uma tradução aceitável.


Shirley publicou o livro em 1983. A adaptação para as telas ocorreu em 1987.


O tema pode parecer meio velhusco, uma parcela ínfima do mundão sabe da existência dessa buscadora, hoje com 83 anos, mas a nuvem contém uma infinidade de signos, e parte deles, não que estejam presentes na obra, são sobretudo evocativos e funcionam por verossimilhança.


Está na nuvem por exemplo Mary Jane McLeod Bethune, ativista dos direitos civis norte-americana, ela desencarnou em 1955 e sem sombra de dúvida a jornada de Martin Luther King Jr. teria sido muito mais espinhosa se Mary Jane não tivesse contribuído até então.


Assim, um dos signos da nuvem é o do prenunciador, do vanguardista.


Ora, Out on a Limb, lançado em 1983, é uma dianteira incontestável no segmento das indagações viscerais humanas lançada para uma ampla gama do espectro global. Não era um livro para ficar empoeirado numa biblioteca perdida no espaço. Foi um Best Seller, vendeu milhões de cópias, colocou no caminho das pessoas desapercebidas a tríade Quem sou eu? De onde eu vim? O que estou fazendo aqui?


Francisco Cândido Xavier tem sua própria nuvem e com certeza ambas se comunicam, mas isso paira noutra vertente. Por sinal, ele Ascendeu e hoje atende pelo nome de Mestre Gregório. E como nunca é demais, lembremos ao Brasil do mimimi que Francisco em 2012 ganhou a merecida honraria de O Maior Brasileiro de Todos os Tempos.


Shirley começa a sua busca, no tempo linear descrito na narrativa, pelos idos de 1976, pouco antes de rodar The Turning Point (Momento de decisão), filme de 1977. Ela se utiliza de dois personagens fictícios, um para conferir certa dinâmica no enredo através do embate de premissas um tanto básicas e outro para efetuar o contraponto de perguntas e respostas num patamar digamos superior. São eles, pela ordem, o socialista aspirante ao cargo máximo do parlamento britânico e o segundo, o buscador avançado vivido pelo ator John Heard. Será este que fornecerá a principal pista do porque dela ter lançado Out on a Limb. Visibilidade.


Ela sabia disso, o que, a meu ver, significa ciência da sua missão. Uma vasta gama de informações manifestada de modo cativante, quiçá vulnerável, e ainda assim honesta e direta lança-se com ímpeto - dir-se-ia o rompimento de um dique - para absorção das mentes em toda a parte. Em duas palavras: tremenda comunicação, ou como já manifestou um sábio, clareza traz resultados.


Toda a semana que John Lennon passou na cama com Ioko foi na verdade uma campanha de marketing pela paz. Ele disse aos jornalistas: é óbvio que qualquer coisa que uma pessoa como eu faça vá parar nos jornais. Eu já entendi isso. Então, nada melhor do que fazer uma campanha. Uma campanha pela paz. Isso com certeza vai atingir outras pessoas.


É importantíssimo considerar que a consciência de massa funciona por indução. Os políticos profissionais sabem disso, bem como os que estão por detrás puxando as cordinhas.


MacLaine escreveu perto de uma dúzia de livros, sendo o primeiro, "Don't Fall Off the Mountain”, 1970. Ali ela já peregrinava pela África, Ásia e tecia indagações. Seria, talvez, o mosaico tomando forma.


A polonesa Wanda Landowska decerto está na nuvem da Shirley. Musicista, pianista, marcou o retorno do cravo à orquestra moderna, foi obrigada a perambular escondida pela França em 1940 devido a invasão nazista, até arranjar carona segura e desembarcar no Novo Mundo no ano seguinte, reiniciando sua vida como concertista e perfazendo inúmeras turnês pelos Estados Unidos. Coragem é outro signo da nuvem.


Shirley precisou dela para externalizar aos 4 ventos, destituída de carteirinha de teóloga, a obviedade da reencarnação, a comunicação com os mundos espirituais sem ser ela mesma uma médium, os dons telepáticos, sincronicidade&intuição e a existência de ETs., ou se preferir, civilizações mais avançadas encarregadas de nos dar suporte. Se em 2017 já se discute em diversos fóruns a entrada da Terra na Confederação Galáctica e ainda assim o establishment foge do assunto como o diabo da cruz, imagine em 1983. Fulano ou fulana que se aventurasse nisso, além de ser taxado de maluco, não seria levado a sério. Daí a coragem…


No trabalho dirigido por Robert Butler ela é uma mulher de 53 anos que canta e dança com a graça de uma menina de 16. No livro a conta é de 4 anos menos e no início da jornada relatada o marco está em 45. Pense em quantas pessoas você conhece que aos 45 anos se empenha na descoberta do self. Já foi sinalizado ser este o caminho menos percorrido.


"Sempre senti que nunca desenvolveria um trabalho meritório como atriz porque me importava muito mais a vida além da câmera do que na frente dela”, do livro "Don't Fall Off the Mountain”.


Marian Anderson também frequenta a nuvem. Por que não? Nascida na Filadélfia em 1897, e tendo sofrido todo o tipo de segregação, mergulha na cantoria desde criança, estuda com afinco na sua pátria e depois na Europa deu tudo o que podia para desenvolver sua enorme extensão vocal e torna-se a primeira estrela de ópera dos States. Em 1939 faz o célebre recital em Washington, atraindo quase 80.000 pessoas. Talento, caro leitor(a), é o cerne da nuvem.


No filme, dois dos canalizadores são eles mesmos, o que por si só já configura documentação deveras interessante. O médium Sture Johannssen, residente em Estocolmo, recebe a entidade denominada Ambres, cuja palestra trata de um dos supra sumos dos tópicos espirituais no séc. XXI - a Co-Criação. Deus e o homem são Um agindo de comum acordo. A Mestria trata-se disso.


O segundo médium bate na porta da casa dela em Malibu, Kevin Ryerson, você pode encontrá-lo no Google, se quiser, naquela época ele estava ligado a Edgar Cayce, coisa séria, nesta sessão ele incorpora 3 entidades distintas e dentre outras menciona Registros Akáshicos, Atlântida e prova para Shirley que a manifestação do espírito não entra em joguinhos infantis.


Na nuvem da Shirley há uma imagem do Francis Paudras, em 1958, agachado na calçada, fumando um cigarro e ouvindo com todo o seu ser o piano de Bud Powell oriundo de uma modesta casa noturna parisiense. Há movimento na imagem, o movimento é função do tempo. Eles irão se encontrar e Francis lhe dirá: "Sua música salvou minha vida. Preciso dela para viver". Cada integrante da nuvem é assim, a orientação programática de seu sistema de análise anda pelo subliminar e sabe de nascença que o entorno costumeiro não passa de um padrão de atenção. Há algo mais. Muito mais. Nenhum deles tenta mudar o mundo, mas honrar o mundo.


No meio da trajetória descrita pela autora, o personagem vivido por John Heard lhe ensina um valioso decreto - Eu Sou Deus - e a principal missão do ser humano: o Auto Amor.

(Texto publicado originalmente em 2018) (Imagem: Mary Cassatt - 1869)



153 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments


bottom of page